Publicações

14.12.2011

Oportunidades à espera

Fonte: Sérgio Tauhata

Gestores aguardam melhora do cenário externo para voltar a se arriscar mais

Os fundos da categoria multimercados têm tido vida difícil. As turbulências externas e a volatilidade do mercado de renda variável tornaram os ganhos erráticos. Em 2011, até novembro, das seis subcategorias englobadas por essas carteiras, quatro rendiam, em média, menos que os fundos DI. A captação também patinou. De janeiro a novembro, os resgates líquidos nos multimercados foram de quase R$ 52 bilhões, o maior valor entre todos os segmentos de fundos, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
 
Para 2012, gestores de multimercado 5 estrelas no ranking feito pela Standard & Poor’s esperam um ano mais promissor. Há boas oportunidades no mercado de ações, acreditam eles, além do crédito privado e estruturado. A avaliação é de que os preços já absorveram boa parte do impacto da crise na Europa, o que, em tese, torna os papéis baratos e abre possibilidades também de ganhos para operações do tipo long and short. “A tendência é de se retornar ao patamar de 2010. Há setores que sofreram muito e foram penalizados, mas se reorganizaram e podem voltar a crescer”, avalia Ralph Rosenberg, sócio-gestor de renda variável da Perfin e responsável pelo fundo 5 estrelas Perfin LS FI Cotas Multi.

O cenário da crise internacional, que ainda mantém o mercado de capitais muito volátil e dificulta a visão de médio e longo prazos, exige que a estratégia seja constantemente monitorada. “Estamos hoje em uma estrada esburacada e com neblina. Conforme a névoa, que é a turbulência européia, for saindo, você pode enxergar os buracos e seguir o caminho certo”, compara Rosenberg.

Em termos de rendimento, 2011 tem como marca uma dupla personalidade. O primeiro semestre foi neutro, com sinais de deterioração macroeconômica. Inflação em alta e indicativos de crise no exterior levaram boa parte dos fundos multimercados a adotar postura mais conservadora e preferir uma exposição maior principalmente em renda fixa e ativos atrelados à inflação.

Na segunda metade de 2011, o Banco Central (BC) iniciou um novo ciclo de redução gradual do juro, o que melhorou o retorno de fundos que investiram em títulos prefixados. “Como nossa maior alocação estava em renda fixa, com a reversão da Selic mais de 60% do rendimento do JGP Max FI Multimercado veio de apostas prefixadas”, afirma o sócio da JGP, Roberto Berardo. Até 5 de dezembro, a carteira acumulava rentabilidade de 13,22% em 12 meses e de 25,77% em 24 meses.

Com os mercados ainda muito sujeitos a surpresas negativas, garimpar ativos promissores, manter posição neutra, sem alavancagem, e diminuir a exposição da carteira a papéis de maior risco devem ser a tônica da maioria dos fundos. Ter mais dinheiro livre em caixa para aproveitar apostas no curto prazo e na arbitragem também integra a receita de vários gestores.

“Devemos entrar no ano com 30% a mais de caixa que a média de 2010 e aumentar a nossa taxa de risco para até 65% sobre a média histórica”, afirma Bruno Garcia, gestor-sênior de renda variável da BNY Mellon. De acordo com ele, o BNY Mellon ARX LS FIC FI Multimercado, do qual é responsável, deve ainda concentrar os aportes em apenas metade das ações que usualmente compõem seu portfólio. “Em lugar de vinte papéis, vamos focar em dez. Em 2011, acertamos ao investir em empresas como Vivo, Redecard, Hering e Iochpe. Vamos continuar a fazer análises caso a caso”. Em 5 de dezembro, a estratégia gerava ao fundo uma rentabilidade de 14,27% em 12 meses.

Apostas mais específicas em papéis que ficaram com preços atrativos também fazem parte da estratégia do Credit Suisse LS Premium FIQ FI em Ações para os próximos meses. Para isso, o diretor Mauro Bergstein, responsável pela Credit Suisse Asset Management, acredita que terá de ser feita uma análise minuciosa. “Em alguns setores, como o imobiliário, vamos ter de fazer um trabalho de formiguinha, empresa a empresa.”

Em 2011, o fundo gerou resultado no primeiro semestre principalmente devido a ativos indexados à inflação. Mas, a partir da segunda metade do ano, o Credit viu sinais de uma possível queda nos juros e mudou a estratégia. “Assumimos posição em ativos que se beneficiassem da queda nos juros e fomos surpreendidos com um ajuste mais forte que o estimado”.

Em meio a um mundo ainda nervoso, o segmento de crédito privado, sobretudo o de operações estruturadas, deve crescer de modo consistente em 2012. O 5 estrelas Capitânia Multi Crédito Privado FIC FI é um dos que apostam nessa área, com 20% a 25% da carteira em CDBs e o restante dos recursos alocado em até 24 operações de renda fixa, debêntures, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), cotas de fundos imobiliários e operações de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Para o gestor do fundo, Artuto Profili, sócio-responsável pela área de finanças estruturadas da Capitânia, o segmento de renda fixa estruturada não chegou ainda nem perto de atingir seu potencial. “Hoje, as operações giram cerca de R$ 15 bilhões por ano, mas a demanda por capital de longo prazo chega a R$ 300 bilhões”, afirma. O especialista acredita ainda que o crescimento do país e o aumento da demanda por crédito privado farão esse mercado dobrar em até cinco anos.

Ao longo de 2011, a exposição maior em operações indexadas à inflação também ajudou o fundo da Capitânia a render 14,87% no acumulado de 12 meses fechados em 5 de dezembro. “No curto prazo, vamos manter a prudência e continuar com um estoque de 20% a 25% em transações indexadas à inflação”, conta Profili. (Colaborou Alessandra Bellotto)

Voltar

Como Investir? Anbima
Rua Amauri nº 286, 2º Andar - Itaim Bibi / SP - cep 01448-000. Tel.: +55 (11) 2526-2400 ver mapa

A Perfin Investimentos Ltda. não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimentos ou qualquer outro ativo financeiro. As informações contidas neste material são de caráter exclusivamente informativo e não se constituem em qualquer tipo de aconselhamento de investimentos, não devendo ser utilizadas com este propósito. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. A Perfin Administradora de Recursos Ltda., seus administradores e funcionários isentam-se de responsabilidade sobre quaisquer danos resultantes direta ou indiretamente da utilização das informações contidas neste site.

Fundos de investimento não contam com a garantia do administrador do fundo, do gestor da carteira, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do fundo garantidor de créditos – FGC. A Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do prospecto e o regulamento do fundo de investimento ao aplicar seus recursos. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos.

Patrimônio Líquido Médio Mensal nos últimos 12 meses + ver texto completo

© 2010 Perfin Investimentos - All Rights Reserved.

WebAsset by